Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

Aprendi a conjugar o verbo Voltar


Vou voltar.
Não Hoje, mas vou voltar.
E volto porque há pessoas que neste mundo, onde nada faz sentido, nos dão O sentido e se deliciam com a maneira que nos prendem e nos aconchegam e nos embalam deliciosamente.
E votarei sempre ate que essas pessoas permaneçam deliciadas.

Sinto saudades..
Saudades de voltar.
E se pudesse voltaria neste instante.

"A porta está aberta, por favor entra."

A nossa porta? Claro.
A nossa porta..

Já não consigo dormir sem ti, sabias?
Que nome dar a isto? Que sensação associar? Que expressão fazer?

"Would you marry me?"

Não acredito no casamento..
Acredito no casamento = união, amor, paixão, exclusividade, confiança, olhares cúmplices, abraços sinceros..
Não no casamento = Em nome de Deus e pelos poderes a mim concecedidos vos declaro marido e mulher!

Sim, SIM..

Todos os dias tenho vontade de te pedir em namoro, em casamento, que me apertes até ficar sem ar.. Até acreditar que és meu. Até ser inteira e perfeitamente tua.

"And I will walk to be with you using the stars at guides.."

Sinto que não precisas que te digas estas coisas porque já deves ter reparado na maneira como te olho..

Como te olho!

Sabes a felicidade que é sentir a maneira que te olho? Como te olho nos teus olhos.. Sorriu!
Simplesmente sorriu de profunda felicidade.

You are the words..

You are my soul mate..

E perante isto não há nada que possa ser dito em qualquer que seja a língua.

Quinta-feira, 19 de Agosto de 2010

Qualquer coisa entre criança e adulta


Nunca quis ser pequena, mais nova.. Se me faço entender.
Nunca gostei de ser criança, sempre quis ser mais velha, maior, mais grande.

Hoje sou aquilo a que chamam "adulto". Com 21 anos sou considerada adulta em qualquer parte do mundo, preste a fazer realmente parte contribuinte da populaçao nacional e mundial dos adultos trabalhadores o que me faz sentir muito deprimida.

Hoje continuo a não querer ser criança.
Continuo a achar que enquanto criança somos demasiado insignificantes.. É um sentimento estranho que não sei explicar. Más memórias. Recalcamentos, talvez.
Mas ser verdadeiramente adulto também já não me atrai tanto quanto atraía.

(In)Felizmente sempre fui mais crescida do que a idade mo exigia.
Precoce como sempre gostei do ser:
Aos 7 menses aprendia a andar.
Quase aos 8 menes aprendi a falar.
Bem mas a história da minha vida é outra que não esta.

Apesar de ser uma menina crescida também sofri mais do que aquilo que a idade exigia, fisica e psicologimente. Talvez por isso quisesse crescer.
Mas sabem que mais?
Não me lembro... Hoje em dia não lembro nada de dores e sofrimento desde que nasci até pelo menos aos 4 anos!
Não me lembro nem sinto dor como sinto hoje.
Não me lembro de chorar e sofrer tanto como em adulta.

Não quero com isto voltar a ser criança... Mas também não quero ser adulta.

Não enquanto quem devia ser tudo não é nada, me magoa e desilude. Me faz sofrer e chorar.
Quer seja eu criança, quer seja eu adulta.

Blá Blá Blá


Ás vezes sentimos falta de escrever, saudades...
Outras vezes escrevemos só por escrever, porque nos dá prazer.
Hoje não sei porque escrevo.
apesar de ter saudades e de ter vontade, hoje não é uma boa noite para escrever... só sai merda e não há nda a dizer.

Estou revoltada!

Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Gostos



Não gosto de hipocrisia. Não goste que gritem comigo. Não goste que me tomem por parva. Não gosto de ofensas. Não gosto de falsidade. Não gosto do frio. Não gosto de acordar cedo. Não gosto de mentiras. Não gosto que me chamem mentirosa. Não gosto de estalos. Não gosto de estupidez crónica. Não gosto desta cidade. Não gosto do que sinto quando estou irritada. Não gosto de telenovelas. Não gosto de ter o estômago vazio. Não gosto de viver na casa dos meus pais. Não gosto de me deitar cedo. Não gosto que me pressionem. Não gosto de ordens nem obrigações. Não gosto de gritos. Não gosto de ser ignorada. Não gosto de estar onde não me apetece. Não gosto disto. Não gosto daquilo. Não gosto… Não suporto nada disto.

Sábado, 7 de Novembro de 2009

Devemos fazer tudo o mais simplesmente possivel...


Ontem estava no café e depois de uma serie de acontecimentos que me deixaram verdadeiramente triste e nostálgica, como que resposta aos sentimentos que me invadiam, abri uma revista e por mero acaso li um pequeno texto chamado "Devemos fazer tudo o mais simplesmente possível mas não mais simplesmente do que isso", que me fez grande sentido...


"Fui a Alcácer por um homem a quem quero muito, num momento difícil da sua vida: acabavam de lhe arrancar mais um bocado da infância, de lhe substituírem a existência por memória e quando nos mudam a cor à alma a gente sofre. Mesmo que a cor haja mudado com o tempo, embora todos os nossos tempos continuem connosco. Meu Deus, a pouco e pouco vamos-nos tornando sótãos onde o passado amarelece, a pouco e pouco os sótãos invadem a casa que somos, principiamos a mover-nos entre sombras truncadas de gente, emoções, memórias. Lentamente tiram-nos tudo, o presente afunila-se, o futuro uma parede. E nós, apesar de adultos, tão crianças ainda, assustados, perdidos, juntando pedaços dispersos para nos reconstruirmos de novo, continuarmos. Na direcção de quê? Para onde? Quem nos espera ainda?
(...)
Primeira pergunta: o que nos aconteceu? Segunda pergunta: o que será de nós? Não mandamos nada, os dias vêm e cavalgam-nos, arrastam-nos para onde lhes dá na gana, o nosso livre arbítrio é tão limitado, o que podemos escolher tão pouco.
(...)
passei as poucas horas livres que me deram a olhar para o tecto e a pensar numa frase de Einstein: devemos fazer tudo o mais simplesmente possível mas não mais simplesmente do que isso.(...)Devemos fazer tudo o mais simplesmente possível mas não mais simplesmente do que isso: grande cabrão que acertou em cheio."


De repente o dono da revista tem de leva-la e nem tive tempo de rever os palavras, mas tive tempo suficiente para percebe-las e encaixa.las em mim e senti-me engolida pelo meu sótão amarelado cheio de gente emoções e sentimentos, cheio de um passado de gesto e palavras..
olhei a volta e percebi que mo tinham roubado mas não fiz nada pois "devemos fazer tudo o mais simplesmente possível mais não mais simplesmente do que isso."

Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Sentir



Sinto.me perto do abismo, da sensação de cair num buraco infinito que nos deixa pequeninos, que nos aperta o coração e nos deixa sem fôlego, que não permite que abra os olhos com medo de ver a chegada...O eclodir num chão duro e frio.

Sinto.me em constante queda.

Sinto.me a mergulhar na água gelada de um mar límpido, com ondas revoltas que não nos deixam quase tempo de respiração entre elas, que nos cobrem e nos fazem descobrir uma frescura diferente, uma mistura de aflição com prazer.

Sinto.me em constante mergulho.


Sinto.me tonta como se me rodassem mil vezes no ar e me largassem de repente. como se uma onda de um qualquer prazer desconhecido, mas tão prazeroso, invadisse cada centímetro do meu corpo a cada cinco segundos.

Sinto.me cada pulsação.

Sinto.me cada arrepio.

Sinto.me cada sorriso.

Sinto.me sinónimo de felicidade.






Sinto.te cada vez mais.







Sinto.me cada vez mais apaixonada...

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Hapiness






Sou simplesmente feliz =)

Segunda-feira, 6 de Abril de 2009


Existe uma questão que me tem feito uma certa confusão à cabeça e que, certamente, me irá atormentar para o resto da vida...

"Mas quem será?

Mas quem será?

Mas quem será o pai da criança?

Eu sei lá, sei lá.

Eu sei lá... Sei lá!"


(Em homenagem à Marta Tique, João Fialho e Zé Manel que me tem cantado e partilhado bons momentos comigos ao som desta bela cantiga =P)

Sexta-feira, 20 de Março de 2009

Primavera


É Primavera e
O Sol brilha

É Primavera..
é so isto e fico feliz so por isto =D

Sábado, 7 de Março de 2009

"Lição"


É no verão que se aprende a poesia,
disseste; e em cada um dos verões qe a vida
nos traz, em que se aprende e desaprede
o mais certo, entre o amor e a morte,
que cada um tem de saber. No quintal,
onde já não existe a romãzeira da infância,
ouvindo o vento que soube da terra, trazendo
um antigo furor de ervas e raízes; ou
no largo aberto para o tempo que foi,
e esse que há.de vir. Abro contigo o livro
branco de todos os lugares e de todos
os nosmes: o livro da poesia, aprendida
com o desfolhar dos verões, enquanto
as mães se despedem da vida, e uma baça
adolescência se confunde com a névoa
de agosto. Leio devagar, como se
interpretasse, e um fogo embarcado
nos olhos enfunasse a mais obscura
das imaginações: o verso, aprendido
no leito da memória, no verão em
que se aprende a poesia, disseste.


Nuno Júdice

Segunda-feira, 2 de Março de 2009

Dia de cão




Tive um dia de cão!!

Porque será esta expressão utilizada quando o dia nos corre mal?

Eu tive um dia de burro!
Que só serve para servir...
Que serve para levar porrada se não obedece...
Que é ignorado por quem passa sem sequer o ver...
Que ouve sem poder zurrar as queixas do seu dono...

Tive um dia de merda de facto!
Tive um dia cinzento.
Tive um dia frio.
Tive um dia chuvoso.
Tive um dia triste.
Tive um dia de gritos.
Tive um dia de lama.
Tive um dia que mais parecia que cheirava a lixeira, que mais parecia um dia em que nos dão a comida que mais odiamos quando sonhavamos com algo delicioso.

Tive um dia deprimente... que mais parece que estava presa numa cela.
Merda de Março.

Domingo, 1 de Março de 2009

Março


Não tenho nada para escrever.
Nada para pensar.
Nada para dizer..
APenas que..

Estamos em Março de 2009 e aqui peço que seja um bom Março.

Um março melhor do que os últimos dois anos.
Que seja um Março perfeito!

Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

Só porque sim =)


Hoje, só porque já estou doente de estar doente aqui fic uma música só para me animar =)

I try to picture a girl through a looking glass
And see her as a carbon atom
See her eyes and stare back at them
See that girl as her own new world
Though her home is on the surface she is still a universe

Glory God, oh God is peeking through the blinds
Are we all here standing naked, taking guesses at the actual date and time
Oh my, justifying the reasons why
Is an absolutely insane resolution to live by

Live high, live mighty
Live righteously, taking it easy
Live high, live mighty
Live righteously

I try to picture the man to always have an open hand
And see him as a giving tree
And see him as matter, matter of fact he's not a beast
But oh not the devil either
He's always a good deed doer
Where it's laughter that we're making after all
The call of the world is still in order nation wide
In the order of the primates, all our politics are too late
Oh my, the congregation in my mind
Is this assembly singing gratitude, practicing their loving for you

Live high, live mighty
Live righteously, taking it easy
Live high, live mighty
Live righteously

Just take it easy and celebrate the malleable reality
See there's nothing that's ever as it seems
This life is full of dreams

Live high, live mighty
Live righteously, taking it easy
Live high, live mighty
Live righteously


*Jason Mraz*

Mãos


Já dizia este homem que canta a plenos pulmões: " Whit the touch of your hands...".
Aplaudo.o. Aaplaudo.o só por ele deixar sair palavras que me tocam.
Estremeço ao percebe.las...
O toque das tuas mãos!
Das tuas mãos... das tuas! Faz demasiado setido.

Volto de novo à casa de partida meu amigo, novamente.
Meu amigo...
meu... amigo! Sorriu estupidamente.
Sabes todos os meus segredos, todos os meus podres. És o meu amigo.
E... Como eu gostava de poder dar.te a minha mao. Entrelaçá.las com uma razão presente.Sem passado, sem futuro. Só nós os dois, sem mistérios.
Mas eu não sei todos os teus mistérios...

E o homem continua... Sorris.
Não para mim, bem sei.
Nem por mim... os teus dedos teclam à velocidade da luz com um destino exacto.
Destino esse que não me pertence.

E se nós pudessemos apenas dar as mãos ao som desta música, meu amigo. Se ao menos pudessemos senti.la juntos...
Gritava, se pudesse, o que sinto tal como este homem grita, exprimindo palavras vazias que fazem eco neste espaço.
Sinto que as sentes... Mas não como as sentes.
Continuas a senti.las à velocidade que os teus dedos enviam palavras...

E só isso me basta para saber que já não somos.

Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

"Loucura" __ Mário De Sá Carneiro


" - Para entretenimento... - murmurava ele com um sorriso desdenhoso - Ah! Tuprecisas de te entreter... Para isso escreves, isto é, trabalhas. Mas, meu caro, «entreter» significa passar tempo. Ora o tempo passa acelarado em demasia; não necessita de impulsos. Os homens deviam procurar «entreter» o tempo, e não entreter.se a si... Eu é isso que faço... Penso no passado, revivo os dias que passaram... Assim, levanto uma barreira entre o presente e o futuro. O futuro é porém um óptimo saltador... Salta todas as barreiras, vai.se tornando no presente e eu pouco resultado alcanço... Escreves para não te aborreceres...Ah! Como seria feliz se me conseguisse aborrecer!...

(...)
- Meu caro, todos nós temos um ideal. O meu, não te digo qual é. Se o confessasse deixaria de ser ideal... Todavia, afianço.te que nele não há nenhuma mulher... não há mesmo ninguém, senão eu. Sou um bicho do mato... Ah! Não sentir ninguém perto de nós... fazer só o que a nossa vontade exige... Parece impossivel que se ame a vida familiar... A familia! que nausea!...
- Mas sem familia constituida, não pode haver felicidade completa! - insurgia.me eu.
Raul, pensativo, em vez de sustentar a sua opinião, respondia:
- De acordo. Por isso mesmo é que me repugna a vida familiar. Eu não quero se feliz, seria para mim a maior das infelicidades!...
Pobre amigo, pobre louco...

(...)

- Meu amigo - confessou - já não penso o mesmo acerca da literatura. Considerava.a dantes como uma futilidade, apenas digna de espiritos fracos. Hoje, compreendo que laboarava um erro.
A escultura faz corpos: eu faço corpos. A literatura faz almas: tu fazes almas. Se pudessemos conjugar as nossas duas artes fariamos vida. Feizmente é impossivel...

(...)

- Ah! - tornou o Raul, voltando à sua ideia fixa - gostaba tanto de me aborrecer... Era tempo que roubava ao tempo...

(...)

- Saber quem uma pessoa é, é conhecer a sua alma, penetrar nos seus pensametos; saber como pensa, como executa. Numa noite não se pode fazer tanto. A maioria das vezes nem ao cabo de muitos anos se logra conhecer um companheiro de muitos anos.

(...)

«- O matrimónio... - dizia ele muitas vezes - Ah! como eu abomino essa palavra!... Um contarto mascarado com o titulo de «sacramento» que acorrenta inexoravelmente duas vidas; que dá todos os direitos ao homem, nenhum às mulhres!... Amem.se duas criaturas, entreguem.se uma à outra, vistoq ue entre animais novos e de sangue ardente à intimidade das almas exige a dos corpos; não se sujeitem porém a assinar uma escritura e o mundo considerá.los.á criminosos!!... É inaudita a estupidez humana! O homem - o animal mais perfeito - querendo.se tornar um ser doutra espécie, tornou.se unicamente no mais animal de todos os animais!...» (...)
Somente - confesso- experimentei uma vaga desilusão quando vi o meu amigo descer do seu pedestal de biarria para a banalidade. Nessa banalidade, ia ser feliz.

(...)

Raul e MArcela - dizia.se - não eram dois esposos, eram dois amantes. Com efeito, para a sociedade existe uma grande diferença entre «marido e mulher» e amante e amante. No primeiro caso, é o amor consentido, o amor burocrata (...); sério e circunspecto. (...) Os esposos dignos devem respeitar.se até mesmo no delicioso momento em que os seus corpos se unem num feixe palpitante de carne e nervos. Devem ser comedidos no prazer, reservados na loucura: devem refrear os sentidos, abafar os suspiros...
O amor dos amantes é pelo contrário, livre; livre de todas as peias, de toda a hipocrisia. Não tem que guardar reservas: pode beijar as bocas, os seios, os corpos todos... É a liberdade na paixão... e como é liberdade, granjeou o ódio da «gente honesta»...
Tudo isto é absurdo... tudo isto é verdadeiro. Que diferença poderá haver entre a posse de duas criaturas unidas por um contrato grafdo a tinta negra e a de outros a quem nada liga senão um sentimento de amor mútuo?...
É por isto mesmo que os esposos que se amam como esposos se não amam.

(...)

«Ah! meu caro, como são imbecis todas estas hipocrisias; frutos dos eternos preconceitos, da educação totalmente errada duma especie que se envergonha da sua mãe: a Natureza...»

(...)

Loucura?! - Mas afinal o que vem a ser a loucura?...Um enigma... Por isso mesmo é que às pessoas enigmaticas, imcompreensiveis, se dá o nome de loucos...
Que a loucura, no fundo, é como tantas outras, uma questão de maioria.(...) A maior parte dos homens adoptou um sistema determinado de conveçoes. É a gente de juizo...
Pelo contrári, um número reduzido de individuos vê os objectos com outros olhos, chama.lhes outros nomes, pensa de maneiras diferentes, encara a vida de modo diverso. Como estão em minoria...são loucos...
Se um dia porém a sorte favorecesse os loucos, se o seu numero fosse superior e o género da sua loucura idêntico, eles é que passariam a ser os ajuizados: (...) na terraa dos doidos, quem tem juizo, é doido, concluo eu.
O meu amigo não pensava como tda a gente... Eu não o compreendia: chmava.lhe doido...

(...)

Sim! É horrivel a via! Somos novos, amamos, e cada dia vai consumindo o nosso organismo, envelhecendo.nos... Assistimos, nós mesmos, à morte lenta dos nossos corpos... Enquanto beijamos uma boca ardente, enquanto moldamos a carne dum corpo divino, «vai.nos mimando o tempo, o tempo - o cncro enorme!...»
Ah! bastante razão tinha eu quando me queria aborrecer para o Tempo levar mais tempo a passar! Não terei coragem para resistir a tal sulpicio... O remédio é simples...

(...)

«Não queres... não me compreendes... És como toda a gente... Tens amor à vida... Lastimo.te... Não serei eu que te obrigarei a mudar de ideias. Pelo meu lado - juro.te - não estou disposto a sacrificar ninguem - nem mesmo a ti - a liberdade do meu pensamento, das minhas acções.»

(...)

- Tu não podes avaliar o tamanho do meu suplicio... Nao podes... A tua alma não compreende a minha, nem a tua, nem a de ninguém. Tenho horror à vida... meu amigo, tenho horror à vida... Tenho horror àmorte, menos horror talvez... mais horror... ignoro... Não posso viver, não posso viver... Não quero morrer, não quero morrer... É horrivel... horrivel... Que ando a fazer neste mundo? O mesmo que as outras pessoas, bem sei... Ah! mas é justamente isso que me aterra, que me horroriza... Vivo como todos, à espera de velhice, percebes? À espera da morte, entendes?

(...)

Amamo.nos, somos novos... somos felizes... Mas amanhã? Amanhã?... Terrivel! Seremos velhos... A carne amolecida já não desejará a carne; ou, se a desejar, em vão se esforçará por fremir aos deliciosos contactos. O foco da vida, apagado, não inflamará os sentidos... A alama que nunca envelhece, que ama sempre, Já não saberá nem poderá amar!... Diante dum corpo encarquilhado e frio, eu recordarei esse mesmo corpo quando ele era fogo... mármore... mármore que ardia... Recordarei prazeres estonteates em horriveis despojos. Morrerei de sede, junto da fonte onde outrora tanta vez bebi a vida a haustos largos... Recordar é morrer... E eu não tenho coração para morrer desta maneira... Não tenho! Não hei.de morrer assim!... Lembrar.me que cada dia me aproxima dessa hora fatal e não poder... Não poder obstar a que os dias passem!... Ah! meu amigo, o meu cerebro está doente... muito doente... nada o curará!... Se eu pudessepensar, encarar as coisas como todos as encaram... Mas não posso... não posso... A minha alma é diferene de todas as outras almas!...

(...)

(inacabado)

Domingo, 11 de Janeiro de 2009

Infinito



Pensamos no infinito das estrelas, mas não nos importamos com o infinito que trazemos em nós!

Gostas?
Fui eu que escrevi!

Mais um texto?
Não, foi apenas uma frase solta que me ocorreu enquanto lia um livro!
O livro "Do Riso e do Esquecimento". Já li estes livros todos, não leio nada de novo. Ontem li o "principezinho"!

Isso anda assim tão mau?
Depende do ponto de vista... Sabes? A lua, as estrelas, a cidade...a vida... tudo isto só tem valor, só e bonito e fantastico se tivermos uma "flor"...
Ontem pensei muito sobre quem seria a minha flor...
Alguem por quem de a vida alguem de quem eu cuide, alguem que eu ame, alguem que precise de mim!

E sabes que mais?
Eu nao tenho nenhuma flor.
Ainda achei que o meu pequeno irmao pudesse ser a minha flor mas ele vive sem mim e ate muito bem, não sente a minha falta. Tem mãe pai e mais duas irmas!

Os meus amigos...bem são as minhas flores mas de cada vez q vou ao cafe apercebo.me que eles sao felizes mesmo se eu n estivesse lá.
Sou eu quem não vive sem eles e não o contáario!
Enfim... apercebi.me que nao tenho motivo algum que me prenda verdadeiramente a esta realidade.

Bem, infelizmente uma flor inclui "dar e receber". E eu não tenho uma flor na minha vida e não, se eu fosse a tua flor precisava de ti!

Não é atrufio... é muito triste,e a minha vida nao tem sentido e acabei de me aperceber que o ser humano é algo muito insignificante e fútil quando deixam de ser crianças e mesmo assim, já as crianças nao sao com eram...

Sinceramente sinto.me mal em todo o lado, todo... Mas lá vou fingindo ser como os outros e que não me preocupo com o infinito que trazemos em nós ...
E finjo que não sei que somos muito mais do que mostramos e que as estrelas sao muito mais do que pontos brilhantes no céu, e que a vida é muito mais...
Porque é que nos limitamos a estudar, comer, gritar, comprar, beber, papaguear, dormir e andar uns atras dos outros para termos uma relaçao e casar e ter filhos?
Como e possivel? Como e que alguem se diz feliz?

Eu nao compreendo.

Bem, eu n acredito nisso...
Isso é apenas o que os filmes e livros nos fazem crer, e olha que eu sou apaixonada por estas duas artes.

Ahhh... existem principes e princesas. Existe amor verdadeiro.
Existe? Sim ,eu acredito que exista mas nao e isto que existe nesta realidade. Não aquilo que eu oiço chamar de amor verdadeiro, dentro deste grupo de pessoas reais. Nao é certamente o verdadeiro amor verdadeiro em que eu acredito, garanto.te.

Sim...
Mas eu acredito na amizade dos meus amigos! E nunca meti isso em questao.
O que me faz confusao e que eu nao os trocava nunca sabes?
Nao me vejo a viver sem eles... Mas ja eles... sinto.me completamente substituivel!


"Antes as pessoas encontravam-se, agora... andam aos encontrões."
Sim, tambem já li essa frase em algum lado.
Toda a gente percebe isso e pronto é um motivo de conversa, mas nunca aprofundam ...
Falam naquele moemnto mas deitam.se na cama e dormem descansadas sem pensar mais.
É bonito dizer, mas custa mesmo muito pensar mesmo a serio nisso.
E olha como eu estou...ah ah ah
A fingir ser quem nao sou, para nao passar por louca neste mundo.

Foi o mundo...
Fui eu que comecei realmente a pensar quem era e em que mundo vivia e...
Puff badamerda pa mim que me atrevi a pensar a serio!

Eu nao tenho vontade de viver... Nao neste mundo, nem nesta realidade.

"Mas é esta realidade que existe."
Então eu não faço parte dela. Tenho de aprender a viver com ela,coisa que nao estou a consegir e que me custa ate me doer a alma!
Mas sabes? Fico contente por ja ter conhecido o amor que todo o mundo diz ser o amor verdadeiro...
Fico feliz por ter amigos como tenho.
Fico fliz por ter provado varios sabores.
Fico feliz por ter conseguido sentir o efeito de um perfume, da paixao... É giro!
Mas tudo isto acaba depressa pois são coisas q nunca acabam. É so quereres que as tens.
Tambem estou feliz por saber o que é a arte de representar, e muito infeliz por saber que nao e nada do que mostram na televisao para todo o mundo...
E nao posso mudar isso, mas sei.o! E fico feliz por eu o saber.

Fico triste por ainda não conhecer muito do mundo, mas sabes que mais?
So muda o cenario... As personagens sao iguaizinhas mudando.lhes os nomes, a cor de pele, a historia de vida
enfim... o figurino e a maneira de falar!
Há aquelas que sofrem horrores... Mas mesmo assim nao tem coragem pa pensar "o que é isto da realidade e o que é que eu sou aqui no meio?", habituam.se!
Odeio esta palavra!!
Habituar.mo.nos a algo e simplesmente horrivel e eu... Ja me habituei a tanta coisa que so me da vontade de chorar quando penso.


Não... queria viver verdadeiramente uma unica vez com pessoas verdadeiras mas ainda nao encontrei nem uma unica!
Sendo que ate ha dias nem eu era uma pessoa verdadeira... era.me impossivel, esta claro!
Ninguém é verdadeiro, é simples!
Estas com uma pessoa... riem.se falam, e acabam a dizer mal de alguma coisa, isso e ser verdadeiro?
E depois cada um vai para suas casas e sao capazes de pensar e ate dizer mal ou falar dessa pessoa, isso e ser verdadeiro? Porque é que pensamos mal? Porque é que somos futeis? Porque é que nos irritamos? Porque damos um sorriso falso?

Sabes quantas horas passei a chorar por ter recebido um sorriso falso dos lábios de uma amiga? Nem ela sabe, nem saberá...
Porque eu amo.a acima de todas as adversidades, mas eu sei que ela nao tem tempo para pensar na realidade e percebo que ela goste da realidade que lhe oferecem... por isso não a culpo.
Sim... o que magoará mais do que um sorriso falso vindo de um amigo que amas?
O sorriso e um acto espontaneo positivo de alegria amizade talvez carinho e amor, e quando forças esse acto... tudo o que ele significa perde.se em nada. E deixa de ter significado.

Pois... mas eu nao quero algo. Eu so queria ser verdadeira!
É muito dificil viver.se num mundo quando percebes que a realidade deste nao encaixa de forma alguma contigo... E és tu que és o "anormal" sabes porque? Porque nao es capaz de perceber que isto é a realidade... O pior é que tu percebes que isto podia nao ser a realidade e que ha algo mais... mas és um num mundo e um não faz nada
portanto ou te habituas ou partes para o teu mundo!

O Mundo imaginário.
É so desligares.te da realidade. Vou passar por louca, mas não faz mal. Sou doente mental tambem, se o mundo assim quiser. Estou.me a cagar, afinal de contas tambem ninguém vai perceber, e eu sei que não o sou.
Pois, eu sinto... o problema é esse, eu sinto! E sei perfeitamente que não sou a unica pessoa no mundo a sentir.me assim.

"Onde queres ir?"

EU? A lado nenhum... Queria conseguir escrever como Fernando Pessoa. Tudo o que sinto, mas nao consigo. Vou desistir porque sei que nunca nenhuma palavra minha terá valor. E serei mais uma maluquinha que enlouqueceu por pensar demais.

A lado nenhum.
Não quero encontrar.me com niguem, ou talvez queira sentar.me num cafe e observar as pessoas e estuda.las. Mas que estarei eu a fazer?
Só a sofrer mais porque talvez se fosse como elas seria feliz... ou se calhar nunca seria feliz, mas agora tambem nao o sou, portanto...

Não para já, gostava ainda algumas coisas. Vou tentar lutar um pouco contra esta realidade.
Claro que não... Vou aproveitar as ultimas e finais gotas da minha juventude porque, futilmente falando, sao os melhores anos desta vida.
Já que sou obrigada a vive.la, quero aproveitar o que dizem haver de bom.
Enquanto isso... Vou tentar aprender a escrever e a representar teatro, a minha verdadeira arte.
Infelizmente, sei.me fraca demais e entregar.me.ei nos braços de um homem que me usará e deitará fora, passando assim num outro dia por mim como se nunca me tivesse sugado mais um pouco da minha alma. Faz parte da realidade...
Ou talvez nunca mais me entregue a algum homem. Tambem faz parte desta realidade...

"Ha coisas na vida boas de mais para se sobreviver."
Nesta vida real? Não obrigada...
Eu não acredito nem pertenço a esta vida real.
Só o sorriso do meu pequeno irmão me faz rir e chorar e sentir puro amor e mesmo assim, por vezes ele irrita.me e tenho vontade de lhe bater.
Sabes como me sinto? Uma merda... Uma autentica merda, que nem sou capaz de amar em pleinitude uma criança.

Não perceber que sim, o amor são só coisas boas... Mas nesta realidade ensinam.nos que o amor verdadeiro acata o bem e o mal.
Mas não existe nem bem nem mal... Ninguém consegue entender isso!
Não existe bem... Nem muit menos mal!!!
Mas enfim... é a nossa realidade.
Eu sei que erramos e magoamos, não me estás a ensinar nada... Já me lavam o cerebro há vinte anos.

Sabes? Quando eu me meto numa relaçao torno.me igual ao resto da realidade, e quando me apercebo disso "cabummmm" acaba.se a relaçao, por isso mesmo, porque fui algo que não sou! Porque se eu fosse o que verdadeiramente sou a pesoa tomava.me como louca.
Bem, as pessoas não são iguais!
As pessoas esforçam.se uma vida toda para serem iguais so para não serem julgadas, nem exclúidas.
Eu? Toda a minha vida fui julgada... portanto!
Eu sei que não sou a unica, tenho plena consciencia e tenho mais consciencia de que fou fraca..demasiado fraca para conseguir combater isso. É pena...

Há ideias de felicidade diferentes. Muitas vezes fui verdadeira... Principalmente quando abria a boca e já não me calava e só "saía merda", estava a ser eu.

Eu ainda não sei bem como vou sobreviver a este mundo, mas pretendo acabar este curso, fazer muito teatro, escrever, ler, se puder viajar imenso... E depois, simplesmente Fujo para o meu mundo, para a minha realidade.

O quê? Não, não ia ficar mais leve...
Os beijos não resolvem o que uma pessoa é ou pensa!

Antes de tudo, seres teu amigo ja é muito! E é verdadeiro.

Não vou.
"Nem perguntaste onde."
Mas eu não quero ir, seja onde for. Epor isso não é preciso perguntar "onde", se Já sabemos que não queremos ir.
Mas quem é que disse que eu quero sobreviver? Eu quero viver.

Eu não quero estar com ninguem, não sou boa companhia, mas por enquanto sou obrigada a estar, há aqueles que não posso evitar.
A ti, posso perfeitamente evitar.te. Tenho essa opção de escolha e escolhi.
Mas eu se pudesse evitava o mundo... Entendes?

Então não entendes...
Tu e o bem e o mal... Não, Não me vai fazer bem nem mal. Simplesmente há pessoas que eu já posso escolher ver ou não. Só isso.

Tu não me sentes. Tu pensas em mim.
Eu ainda nem estou no meu mundo sequer... Se te encontrar na rua, provavelmente não te sorrirei.
Olhar.te.ei fixamente e no meu pensamento será realizado um filme de imagens e palavras de uma vida inteira, mas ninguém vao perceber. Nem tu.
Não, nunca te abraçaria.
Porque voltaria a deixar em ti o inicio de uma sensação quando as minhas estão no fim. E isso iria.te ferir novamente.

Qual romance?

Qual perfeição?

Não sabes. Nem ninguém sabe. Nem eu.
Portanto deixa de pensar que sabes, porque para saberes quem sou tens de saber quem tu és.
E será que sabes o que és?

Essa presistência... Só te vais magoar a ti, porque eu já estou demasiado magoada.
Enganas.te,mas está certo para esta realidade, pensares saberes quem és.

Ninguém nesta realidade sabe o que realmente é... Muito menos eu que não faço parte dela.

Principezinho_ Antoine De Saint - Exupéry


"Não acredito! As flores são fracas. São muito ingénuas. Agarram.se ao que podem para se sentirem seguras. Estão convencidas de que toda a gente tem medo delas por causa dos espinhos... (...)
- E tu, tu achas que as flores...
- Não! Claro que não! Nem estava a pensar naquilo que te disse. Tenho coisas bem mais sérias para me entreter!
Olhou para mim, perfeitamente estupefacto.
- Coisas bem mais serias! (...) Estás a falar como as pessoas crescidas!
Fiquei um bocado envergonhado! Mas o principezinho não teve dó de mim e continuou:
- Estás a confundir tudo... estás a baralhar tudo!
Parecia, de facto, muito zangado. Sacundido os cabelos doirados ao vento gritava:
- Sei de um planeta onde há um senhor todo afogueado. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou para uma estrela. Nunca gostou de ninguém. Nunca fez são contas. E, tal como tu, passa o dia a dizer, cheio de orgulho: "Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!" Mas aquilo não é um homem! Aquilo é um cogumelo!
- Um quê?
- Um cogumelo!
(...)
- As flores fabricam espinhos há muitos milhões de anos. Apesar disso, as ovelhas comem flores há muitos milhões e anos. E vens.me tu agora dizer que tentar perceber porque têm elas tanto trabalho a fabricar espinhos que nunca lhes servem para nada não é uma coisa seria?
Que a guerra entre as flores e as ovelhas não é uma coisa importante? Não será uma coisa bem mais séria e bem mais importante do que as contas de um senhor gordo e muito encarnado? E se eu, eu que estou aqui à tua frente, conhecer uma única flor no mundo, uma flor que não existe em mais lado nenhum senão no meu planeta, mas que, numa manhã qualquer, uma ovelhinha a pode reduzir a nada num instante, assim, semsequer dar pelo que está a fazer, isso tambem não tem importancia nenhuma, pois não?
Amar uma flor de que só há um exemplar em milhoes e milhoes de estrelas basta para uma pessoa se sentir feliz quando olha para o céu. Porque pensa: "Ali está ela, algures láno alto..." Mas se a ovelha comer a flor, para essa pessoa é como se as estrelas se apagassem todas de repente! Mas isso tambem nãotem importancia nenhuma pois nao?

E não foi capaz de continuar. Desatou de repente a chorar.
(...)


O principezinho olhou para as rosas e viu que todas se pareciam coma flor dele.
- Quem são voces? - perguntou.lhes estupefacto.
- Somos rosas. - disseram as rosas.
- Ah! - exclamou o principezinho.
E sentiu.se muito infeliz. A sua flor tinha.lhe contado que era a única da sua espécie no universo. E afinal, tinha ali cinco mil, todas iguais, só num jardim.
(...)

E ainda pensou: "julgava.me muito importante por teu uma flor única no mundoe, afinal, tenho uma rosa vulgar. (...)" E desatou a chorar, deitado na relva.

(...)
- Os homens da tua terra são capazes de plantar cinco mil rosas no mesmo sitio... - disse o principezinho- E, apesar de terem um jardim com muitas rosas, não descobrem aquilo que andam à procura...
- Pois não... - respondi eu.
- E podiam descobrir aquilo que andam à procura numa única rosa ou num único golo de água.
- Pois era.- respondi eu.
O principezinho acrescentou:
- Mas os olhos são cegos. Só se procura bem com o coração.

(...)
Quando nos deixamos cativar, é certo e sabido que algum dia alguma coisa nos há-de fazer chorar.

(...)
- Tambem eu vou voltar hoje para casa...
E depois, com uma grande melancolia:
- É bem mais longe... Bem mais dificil...

(...)
Claro que tivera medo. Mas dissera.me com um sorriso meigo:
- Esta noite vou ter muito mais...
Voltei a sentir.me gelado pela sensação do irreparável. E percebi que me era insuportavel pensar que nunca mais iria ouvir aquele riso. Para mim, era como uma fonte no meio do deserto.
- Quero ouvir.te rir mais uma vez, meu rapazinho!

(...)
- Ora ouve lá: essa história da estrela e da serpente e de tu ires ter com ela é tudo um sonho mau, não é?
Mas ele nao respondeu à minha pergunta. Disse:
- O que é importante não se vê...
- Pis não.
- É como a flor. Quando se ama uma flor que está plantada numa estrela, é bom olhar para o céu. Todas as estrelas ficam floridas... (..) E é como a água. A que tu me deste de beber parecia uma musica, por causa da roldana e da corda... Lembras.te? Era tão boa! (...)
Daqui a tempos, quando estiveres outra vez em casa,vais.te por à noite a olhar para as estrelas. A minha é pequenina demais para se ver daqui e para eu ta poder mostrar. Mas é melhor assim: para ti, qualquer estrela vai ser a minha estrela. Vais gostar de olhar para as estrelas todas...Todas elas passam a ser tuas amigas. E agora vou dar.te uma prenda!
E voltou a rir.
- Ah meu menino, meu menino, como eu gosto de ouvir esse teu riso!
-Vai ser precisamente a minha prenda... Vai ser como a água...
-Isso quer dizer o quê?
- As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para os viajantes, as estrelas sao guias. Para outros, não passam de luzinhas. Ainda para outros, os cientintas, são problemas. Para o meu homem de negócios, eram ouro. Mas todas essas estrelas estão caladas. Tu, tu vais ter as estrelas como mais ninguém...
- Isso quer dizer o quê?
- À noite vais.te por a olhar para o céu e, porque eu moro numa delas, porque eu me estou a rir numa delas, então, para ti, vai ser como se todas as estrelas se rissem! Vais ser a única pessoa do mundo que tem estrelas a rir!
Voltou a rir.
- E quando estiveres consolado, vais ficar contente por me ter conhecido. Vais ser sempre meu amigo. Vai.te apetecer rir comigo e às vezes, sem mais nem menos, vais abrir a janela, só por ser bom... E os teus amigos vão ficar espantadospor te verem a olhar para o céu a rir. (...)
E voltou a rir.
- É como se, em vez de estrelas, te dessequinhentos milhões de guizinhos a rir!
E voltou a rir. Depois, tornou a ficar sério e disse:
- Esta noite... Vê lá se percebes... Nao venhas comigo.
- Não te vou deixar sozinho.
- Mas há.de parecer que me doi muito... Há-de parecer que estou a morrer. Tem de ser assim. Nao venhas ver, não vale a pena.
- Nao te vou deixar sozinho.
Estava preocupado.
(...)
E deu.me a mão. Mas continuava preocupado:
- Fizste mal. Vais ter pena. Vai parecer que eu estou morto e não é verdade...
Eu continuava calado.
- Percebes? É que é muito longe e eu não posso levar este corpo... É pesado demais...
Eu continuava calado.
- Mas vai ser como uma velha casca abandonada. As cascas velhas não são uma coisa triste...
(...)
- Vai ser bom sabes? Eu tambem vou olhar para as estrelas. E todas as estrelas vão ser poços com as roldanas enferrujada. Todas as estrelas me vão dar de beber... (...) Vai ser tão divertido! Tu vais ter quinhentos milhões de guizinhos e eu quinhentos milhões de fontes...
E tambem ele se calou porque estava a chorar...

(...)
- Tenho de ir ter com a minha flor, percebes? Eus ou responsavel por ela. Ela é tão fraca. E tão ingénua! Só tem quantro espinhos insignificantes para se defender de tudo...
(...)
Foi só um clarão amarelo no tornonzelo. Ficou parado um instante. Não gritou. Caiu de mansainho, como caem as árvores. Nem sequer fez barulho, por causa da areia."





E decido não acrecestar todo o texto que desenvolvi mentalmente depois de ler pela enésima vez este livro tão profundo, belo e dedicado à verdadeira vida e não a esta miserável realidade em que vivemos.
Quem não conseguir derramar uma lágrima ao lê,lo, quem não sentir formigueiro no coração... Nunca vai perceber uma beleza que está escondida, muito escondida por detrás de tudo o que vimos.
Essa beleza... vai além das estrelas e da nossa visão!

Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

Realidade - Parte 2

Seguramente ela sabe que a realidade existe, mas sente que esta não é a sua realidade.
Ela não faz, não pode fazer, parte desta realidade.
E nem são as surpresas de outrora que já acabaram que a prendem (ou a fazem abalar) à realidade.

Ela acorda e todos os dias pensa coisas diferentes para a sua vida, agora que ruma a outra realidade mais irreal.

Agora que ela passeia sozinha percebe que a vida bem pode ser aborrecida, mas pelo menos é aborrecida à sua maneira. Sim ela é aborrecida definitivamente mas é tão perfeitamente aborrecida que nem a faz cair na realidade do aborrecimento...

Talvez ela perceba mas gosta tanto de viver no seu mundo... Um dia acabará sozinha, ela sabe.

Mas sozinha nunca é a realidade.
E já que ela, mesmo dentro da sua irrealidade, vive num mundo real com pessoas reais não acabará sozinha.

Acabará, mas pelo menos será um fim à sua maneira!

Realidade


Indescritivelmente o mundo real não lhe serve...
Busca algo mais...
Quer algo diferente que não existe!

Ela nunca se habituará ao mundo real...
Ela nunca fará parte dele,nem ele dela... nem sequer quando tentar com muita força e conseguir, pensa ela, estabilizar a vida...
Ter um emprego real com um salario minimo mas real, ter conversas reais, ter um pequeno apartamento real numa cidade que mais parece uma aldeia mas ainda assim real, ter amigos reais em quem confia realmente, com quem sai ate cafés reais, ter um parceiro... alguem que lhe dá estabilidade, confiança, alguém que a ama e a quem ela acredita realmente amar, ela sente.o mais do que alguma vez sentiu qualquer outro. Ele faz.lhe surpresas, eles entregam.se, lutam, eles realmente sao um casal real e feliz mais do que qualquer outro que conheçam. Talvez um dia se casem numa igreja real e tenham filhos...pequenos bebés reais a correr plo pequeno apartamento que um dia virá a ser uma vivenda para uma familia real.

E assim é ela no seu mundo real.

Até que um dia... o seu mundo real é abalado, agitado, confrontado.se ela e ela com ela mesma. Percebe que nada daquilo pode ser real... ela já não se sente real...

"Será isto a vida real?"
Ela não quer ser real... não sabe porquê. Mas ela não pode ser real... Não faz sentido ela nao quer esta vida ela não sabe que vida pode ter para além desta mas sabe que não é esta que quer... Sabe que o ama, ou amou, mas não sabe se quer estar com ele.
Ela não quer este apartamento real.
Não quer este companheiro real.
Não quer este emprego real.

Talvez ela não queira pertencer a este mundo real... que não lhe faz sentido.

Não lhe dá sentido... este mundo não lhe dá sentido.

Decide partir.

Ela parte, não sabe para onde, mas partiu e vai em busca de algo mais irreal, mas que lhe dê sentido.

Porque apesar de ela não saber o porquê de nada, nem saber o que quer, ela nunca aguentaria este mundo.

Ela nunca aguentaria a monotonia.

Sábado, 27 de Dezembro de 2008

Desculpa.me por aí...


Desculpa.me por ai..
Se tento escrever e nada sai.
Desculpa.me por ai...
Se tentei algo mais que nunca será..
Desculpa.me por ai..
Se não sei escrever.nos por mais que tente.

Desculpa...
Mas o que não foi nunca será!
Tento escrever, preciso escrever, sufocarei se não escrever... Mas não o sei fazer. Tu bem sabes que não sei.
E assim deixo correr os dedos pelo teclado sem vida que se rebaixa por baixo dos meus dedos a fervilhar sem ideias para expressar.

Não há nada para expressar.